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As
Artes Marciais da China remotam de mais de 2.500 anos atrás.
Quase todos nós já temos ouvido falar do Tai Chi Chuan , forma chinesa
de Boxe, lutas como o Karate, Judo, Tae Kwon Do, estas associadas ao Japão
e Coreia, mas pouco se conhece das lutas chinesas.
Mas, o que é o KUNG FU ? O que tem a ver com as Artes Marciais Chinesas
? O WU SHU ou KUNG FU, como se diz no Ocidente , não era muito
praticado, nem conhecido antes do atual fervor do cinema e televisão;
Mas constitui uma atividade familiar na República da China , Hong Kong
e nas comunidades Chinesas de além-mar , em todo o mundo.
Historicamente, o Estilo de Luta Chinesa, havia se originado na época
em que os senhores da guerra percorriam a China procurando desarmar o
povo, com exceção do próprio exército. Desprovido de armas, o povo
recorria as suas mãos , pés e paus, para se defender. Histórias de
feitos mágicos nasceram e se divulgaram com o desenvolvimento dos
"Kung Fu" (lutadores) desta Arte Marcial.
Como se emprega atualmente, a nível popular, o termo "Kung Fu"
é um erro. O seu uso correto e estrito, Kung Fu significa EXPERIÊNCIA
em uma das duas grandes Escolas de Boxe Chinês, SHAOLIN CHUAN, ou TAI
CHI CHUAN. Sem dúvida, é o Shaolin Chuan o que vem a se identificar
com o que os ocidentais agora chamam de "KUNG FU". A denominação
correta para Arte Marcial é WU SHU.
O estilo de luta Shaolin chuan teve sua origem no Templo Budista chamado
"SHAOLIN", que significa "Jovem Bosque", situado na
provincia de HONAN , na zona norte da China Central. Em 519 dC. Durante
o quarto ano do reinado de Hsiao Ming, de Wei do Norte, o monge Budista
TA-MOO, de origem indiana, chegou ao Templo Shaolin procedente do Estado
de Linag. Ensinou aos monges de templo a arte de defesa pessoal. Daí
provém o Estilo de Luta chamado SHAOLIN CHUAN (Punhos de Shaolin), também
conhecido como estilo "Exterior" ou "Duro" , em
contraposição ao estilo "Interior" ou "Suave" , o
TAI CHI CHUAN. "Exterior", implica em força física externa,
rigidez de movimentos e rapidez. "Interior" , enfatiza a
circulação do "CHI", Movimentos suaves, sem força e lentos.
A medida que se desenvolveu a Escola de Shaolin, aumentando sua forma,
adotou-se regras estritas para assegurar que os alunos do Wu Shu não
fizessem mal uso de sua força e poder, havia doze regras para os
estudantes e a sua desobediência era castigada com a expulsão do
mesmo.
A vida era intencionalmente dura, para desenvolver o corpo e ao mesmo
tempo, fortalecer o espirito. Não havia lugar para a falsidade. Os
alunos graduados deviam respeitar e ajudar o povo, não podendo em hipótese
alguma transgredir a lei. Em caso de faze-lo, podia ser perseguido pelos
sacerdotes do Templo Shaolin, e condenado à morte.
Os alunos de Shaolin eram eleitos cuidadosamente. Os segredos dos
mestres só podiam ser ensinados para com aqueles que possuiam um alto nível
moral. Deviam manter-se em vigilância constante, para que no templo não
fosse admitido alguém com más intenções ou corrompido.
Diz-se que os mestres de Wu Shu mantinham alguns segredos de reserva
para usá-los contra alunos malfeitores. Os monges que ensinavam eram
todos mestres em Wu Shu, além de Budistas praticantes.
Acordavam cedo, rezavam pela paz universal, treinavam muito carregavam
água, pedra, árvores, etc. para as melhorias do templo, sempre voltado
a orar e meditar antes de dormir.
O treinamento era árduo e produzia guerreiros que cumpriam missões notáveis
para defender os fracos dos poderosos, as vezes, sacrificando suas próprias
vidas à serviço da Humanidade. Mas a luta não era o último único
usado pelos monges para se defender de um agressor. Muitas vezes eles
usavam a sutileza da palavra, a filosofia, a poesia, para vencer uma
pessoa mal intencionada. Algumas vezes até essas pessoas deixavam a
vida de malfeitores e entravam para o templo, tornando-se monges.
Naquela época, nos templos de Shaolin, florescia a arte, a poesia, a
filosofia, como meio de ligação entre o Homem e o Cosmos. Para se
tornar "Mestre" em Wu Shu (Kung Fu) , os monges eram obrigados
a estudar filosofia, pintura, música, literatura, anatomia e medicina
integral. Geralmente começavam a praticar muito cedo, e atingiam o grau
de "Mestre" depois de ter treinado quase a vida toda. Em
muito, os "Mestres" de hoje perdem para os daqueles tempos
idos. Os monges, observando as lutas ente animais, desenvolviam técnicas
de lutas semelhantes, quanto ao usa das mãos, dos saltos das esquivas.
O estilo dos Tígres, baseado nos movimentos de luta desses animais, é
forte, defende e contra-ataca com força muscular, já o Louva-a-Deus é
mais rápido, leve e esquiva muito para contra-atacar.
Serpente, Leopardo, Águia, Macaco, etc., todos eram muito observados
quando estavam lutando. Depois os praticantes de Wu Shu formavam os Tao
(Katis - sequencia de ataques e defesas), baseado nas lutas desses
animais.
Daí nasceram os estilos : Macaco, Garça, Louva-a-Deus, Tigre,
Leopardo, entre outros tantos estilos.
Posteriormente, o Shaolin Chuan teve seitas no Norte e no Sul, que se
subdividiram em numerosos estilos. O Kung Fu do Sul enfatizava o uso das
mãos, enquanto os praticantes do Norte usavam mais os pés.
Até o aparecimento dos filmes de Kung Fu, o Tai Chi Chuan era mais
conhecido fora da China que o Shaolin Chuan. O Tai Chi se refere a o
universo, que compreende-se nos termos da interação entre Yin e Yang
(positivo e negativo). O principio feminino, Yin, está representado
pela Lua, a Terra e a Mulher. O princípio masculino, Yang, simboliza o
Sol, o Céu e o Homem. Os oito movimentos principais do Tai Chi Chuan se
fazem em correspondência com o Yin-Yang e também, com os cinco
elementos: Água, Terra, Fogo, Madeira e Metal.
Chang San Feng, o mestre Taoísta, criador do Tai Chi Chuan, viu uma
luta entre uma serpente e um pássaro. O pássaro pulando de um lado
para outro e piando excitadamente, terminou por cair exausto. A serpente
que só fazia esquivar-se do pássaro, logo se preparou e atacou.
A partir daí, Chang desenvolveu o Tai Chi Chuan, baseado na suaviadade
dos movimentos. Este "Boxear com a Sombra", desenvolve o máximo
a circulação e a energia interior ou "Chi". Os músculos
sempre flexíveis e a respiração natural. Os movimentos são suaves e
soltos. O ritmo é lento, mas continuo, como os ciclo da Terra. Nada é
forçado. Quem o pratica tira vantagem da força do adversário para
incrementar a sua própria força. Segundo os adeptos, o praticante de
Tai Chi Chuan deve Ter a mente serena e livre de tensões, um refúgio
de mansidão em meio ao movimento e ao conflito. Esta calma é
considerada como uma força em si mesma, que permite a quem pratica Tai
Chi, superar a simples força muscular.
Como faz a maioria dos Chineses de hoje, o Tai Chi é um exercício saudável,
mais que um meio de defesa pessoal.
O Shaolin Chuan dispõe de várias armas ao seu alcance: Lanças,
Espadas, Bastões, Punhais, que são treinados na forma de Kati, sozinho
ou a dois (Lança contra Bastão, Espada contra Punhais, Bastão contra
Bastão, etc.)
Mas como tudo que tem seu começo tem seu fim, o Templo Shaolin foi
queimado e destruido pelos homens do governo que viam no templo, um refúgio
para os rebvoltosos. É que na China houve muitas revoltas e levantes de
povo contra os governos, que na maioria das vezes eram invasores como os
Mongóis, os Tang, os Song, Ming e Manchu.
Como exemplo, em 1850 houve a revolta de TaiPing (Paz Celestina). Entre
1900 à 1905 a revolta do "Lótus branco", dos "Facas
Longa"ou "boxer", abafadas e esmagadas pelas forças
estrangeiras que tinham armas modernas e ocupavam a china (Alemanha,
França, Estados Unidos, Inglaterra).
Muitos lutadores de Kung Fu foram mortos e tiveram suas cabeças
penduradas em praça pública, como forma de intimidar os
"revoltosos".
Outros Templos Shaolin foram construídos em diversas regiões da China,
mas novamente foram destruidos pelos donos do poder. Foi quando alguns
mestres que escaparam, refugiando-se nas salvas e montanhas e passaram a
ensinar o que sabiam, mas fragmentando, de um certa maneira, mais ainda
o Kung Fu. Muitos treinamentos e segredos foram perdidos com a morte
desses mestres . Outros que escaparam com vida, recusaram-se a repassar
a sua experiência para outros. Atualmente, temos o Wu Shu se
organizando novamente em Cangzhou, Beijin e em toda China.
No Brasil, mais precisamente em São Paulo, temos um mestre de
irrefutavel idoneidade e sabedoria em Wu Shu, que é conhecedor de
segredos da famosa "Palma de Ferro" e de exercícios
combinados com a respiração , que tornam invulnerável a socos ,
chutes, os pontos vitais de quem os pratica.

KUNG FU
HISTÓRIA
DO KUNG FU
O
termo "kung-fu" é aplicado as artes marciais Chinesas a séculos
e significa "trabalho duro". Essa descrição se encaixa nos
rigores envolvidos no aprendizado e prática das Artes Marciais chinesas.
De um estudante de Kung Fu se espera a prática diligente. Esta deve
envolver fé, resistência, e muitas cansativas, e as vezes dolorosas
horas de treinamento. Combinando isso a altos padrões de moral, caráter
e disciplina mental, dão ao mesmo estudante um caminho muito árduo a
seguir. Existem outros termos nas artes marciais chinesas: "ch'uan
shu" (primeira arte), "wu shu" (arte marcial), e "kuo
shu" (arte nacional). Porém, nenhum desses termos conseguiu ser tão
popularizado e conhecido como o "kung-fu."
O
Kung-fu não é simplesmente conhecido como uma forma saudável de exercícios
físicos e sistema de defesa pessoal altamente eficientes mas, também
mostra ser um benefício mental e espiritual ao praticante. O corpo de um
indivíduo não pode agir sem a interferência da mente, e a mente deve
ser orientada a acalmar o espírito. A prática do verdadeiro kung-fu
exige que os ensinamentos influenciem no dia-a-dia (modo de vida
integral), em cada aspecto da vida do praticante. O kung-fu une mente, espírito
e corpo. Habilita ações harmoniosas entre os elementos da vida de um ser
humano.
A
filosofia reside na importância entre a harmonia e a ordem natural das
coisas. A filosofia talvez seja melhor simbolizada pelo antigo símbolo
taoísta 'yin e yang'. Nenhum lado do símbolo é maior em tamanho e muito
menos em importância do que o outro. Os dois lados devem estar em
perfeito equilíbrio ou o todo é afetado. Isto se reflete também no
praticante de Kung Fu. Deve-se somente atingir o grau de 'mestre' no Kung
Fu, quando todos os elementos da vida de uma pessoa estiverem em equilíbrio.
A
identidade do Kung Fu é complexa. Sua origem data de aproximadamente 3500
anos, porém, alguns estudiosos afirmam que o Kung Fu data do séc. VI.
Acima de 1000 Estilos são conhecidos e reconhecidos de onde mais de 300 são
catalogados. Surgiram do Kung Fu, o Karatê, Tae Kwon Do, Esgrima, Aikidô
e muitas outras. Estas novas formas de luta foram criadas a partir de uma
vertente do Kung Fu ou de um determinado estilo ou técnica, de onde,
buscou-se trabalhar, conservar e até mesmo adaptar características de um
determinado conjunto de movimentos, estilos, ou até mesmo todo um
conjunto de técnicas, formas de defesa ou ataque, dando origem a uma nova
arte. O Jiu-Jitsu, por exemplo, se originou da técnica Shaolin C'hin Na.
O Karatê, teve origem com mais ênfase, no estilo do Tigre.
Esta
arte requer de seu adepto um esforço extremo de disciplina no que se
refere a comportamento físico e mental. Isto é apenas um item genérico
de muitos outros em que se pode dissertar a respeito do Kung Fu que é
muito mais do que uma luta. Para se tornar adepto, é importante que se
entenda Tao, "o caminho", e o Budsimo, a essência da filosofia
e a vida dos que deram origem a estas artes.
O
poder do adepto do Kung Fu repousa na habilidade de se defender em situações
ímpares e impossíveis. Após anos de prática dirigida , esses monges se
tornaram mais do que simplesmente adeptos das formas de sobrevivência,
porém, a aceitação e a escolha para se tornar um membro, era difícil.
Como
jovens meninos, a aplicação para se tornar um membro do selecionado
grupo de alunos, era composta de tarefas fáceis e difíceis do trabalho
relacionado a manutenção do Templos. Sua sinceridade e habilidade em
manter os segredos da ordem Shaolin eram severamente testadas por anos a
fio antes de se divulgar os mais importantes e preciosos segredos. Uma vez
aceitos pela ordem superior do Templo, sua entrada no Kung Fu era
considerada como uma porta de entrada para um novo mundo. Ele trabalharia
por longas horas treinando o corpo e a mente para trabalhos em equipe e em
esforços coordenados.
Ele
aprenderia os princípios do combate, o Caminho de Tao e juntos, iriam
assegurar seu caminho a Paz.
Seriam
ensinadas inicialmente as primeiras técnicas básicas utilizando os
punhos (socos), formas pré-definidas que simulavam múltiplos ataques.
Estas formas se tornavam mais complexas de acordo com o avanço do
aprendiz, que em paralelo, estudava Taoismo .
Completado
o estágio de estudante, ele se tornava um discípulo. Iria então,
estudar os segredos mais profundos das artes e filosofia. Armas de todos
os tipos iriam se tornar familiares a ele, assim como armas de ataque e
defesa. Ele iria aprimorar seus movimentos para harmonizar com sua respiração.
Sua mente iria esvaziar nas profundezas da meditação e iria melhorar sua
energia Ch'i (conceito de magnitude, plenitude mental. Em resumo, Ch'i é
o poder governando o poder universal, assim como a palavra). Somente
canalizando essa energia, pode uma pessoa de pequeno porte físico,
aprender a quebrar tijolos com suas mãos nuas, ou aprender a sentir os
movimentos de seu inimigo no meio da escuridão.
Movimentos
essenciais no Kung Fu são ações comandados por Chi. Compare os
movimentos de um adepto de Karatê e um adepto de Kung Fu. As diferenças
são óbvias e notórias.
O
Karateka se move deliberadamente, forçosamente, cada movimento é único
e distinto do outro. Ele soca linearmente e chuta em linha reta, mantém
seu corpo rígido como o ferro. O Kung Fu, por sua vez, é suave, flui nos
movimentos, permitindo vários movimentos em um único que segue uma seqüência
lógica e harmoniosa. Em suma, Kung Fu é fluido.
Ch'i
corretamente coordenada permite fluidez. Considere uma simples gota d'água.
Sozinha, ela é inofensiva, gentil e sem força, porém, o que no mundo
pode conter a força de um tsunami. O conceito de Chi é o mesmo. Tocando
as energias universais, um aumenta a origem das habilidades de outro. Como
pode algúem ferir um adepto de Kung Fu, quando este é incapaz de atingir
um corpo formado de água? Após examinar rapidamente a estrutura do Kung
Fu, pode surgir uma dúvida de que seu conceito principal é
verdadeiramente um conceito de uma arte refinada. O Kung Fu necessita de
um tremendo conhecimento de informações e disciplinas que deixariam
desbancados nossos estudantes liberais de artes. Os antigos Shaolin eram
desenvolvidos nos seguintes tópicos, entre outros: Medicina, música,
artes, fabricação de armas, religiões, criação de animais,
cartografia, línguas, história, e é claro, Kung Fu.
O
adepto deveria ser mais do que uma simples máquina de lutar, mas, ele
deveria saber como, onde e porque entrar numa luta e, até mesmo, de maior
importância, a como evitar o conflito. Somente com uma habilidade imbatível
de um monge ele estava seguro o suficiente para não sentir necessário a
luta.
Havia
um sistema de graduação utilizado: iniciante, discípulo e mestre. O
iniciante (novato ou nível de estudante), era o servente. Somente
ensinamentos básicos e rudimentares do Kung Fu chegavam ao seu
conhecimento.
Discípulos,
no entanto, eram considerados seminaristas (monges iniciantes), tendo no
entanto que progredir ainda a condição de mestres. A graduação de
Mestre somente era atingida por muito poucos. Realmente, se atingia
gradualmente, com o avanço da idade.
O
primeiro obstáculo de um discípulo iniciante e passar para ser aceito na
comunidade era o dos testes de graduação, uma série de testes orais e
exames práticos, que culminavam no teste do túnel. O candidato era
conduzido a um corredor que possuía comunicação com o exterior. Neste
corredor, existiam armadilhas, todas letais e imprevisíveis. O Discípulo
deveria vencer todos os obstáculos de onde não havia como retroceder, não
havia saída, a não ser o sucesso. Muitos nunca começaram a esta viagem;
poucos a terminaram. O adepto que obtivesse o sucesso através das
armadilhas mortais, se depararia com um último dos obstáculos; uma
grande urna de metal em forma de jarro, repleta de partículas de ferro
incandescente, pesando muitos quilos. Em cada lado do grande jarro, havia
um emblema, diferentes para cada templo, normalmente um dragão ou um
Tigre. O Jarro deveria ser movido de um pilar baixo, de um lado para
outro, usando-se os antebraços nus, desbloqueando assim a saída. Isto
tendo sido feito, o discípulo, estava então marcado para sempre com os
emblemas do Sacerdote Sil Lum. (Shaolin)
Muitos
discípulos deixariam os templos onde seriam encaminhados através do país,
como médicos, oradores nas leis e religiosidade e guardiões do pobres.
Alguns retornariam aos templos tendo a incumbência de preparar a próxima
geração de discípulos. O ingresso acontecia em torno dos cinco e sete
anos de idade. A graduação acontecia ao se atingir a idade de pelo menos
22 anos e cada passo fazia parte de uma vida longa e dura. A variação de
estilos nas artes marciais Chinesas existem graças a vários fatores. Em
primeiro lugar, alguns monges, não eram satisfeitos com uma "única"
verdade, e criaram melhorias ou variações nos antigos padrões. Algumas
artes tiveram origem em exercícios provenientes da Índia, enquanto
outras, foram influenciadas por alguns aspectos da luta livre Grega,
portanto, deixando a desejar.
Alguns,
a pós deixarem o templos, ensinaram a arte a pessoas comuns mixando novos
movimentos criados a partir de sua própria iniciativa ou até mesmo
melhorias em algum estilo de sua preferência.
Em
terceiro lugar, pessoas comuns, ensinadas pelos monges, adaptariam esses
ensinamentos à sua vida diária. Hoje, existem poucos mestres ou gerações
de mestres que tiveram a rara honra e oportunidade única de aprender com
um Sacerdote Shaolin ou seus discípulos diretos.
A
harmonia que deve existir num praticante de Kung Fu, também deve ter
origem na 'escola' de kung-fu, da escola para o aluno e do aluno para a
sociedade. Na 'escola' de kung- fu é ensinado ao aluno; o respeito ao próximo,
respeito aos instrutores e a sociedade em que vivem. Em todos os
estudantes, repousa a responsabilidade no cuidado com o próximo e com a
'escola' de kung-fu e dessa forma, uma 'escola' de Kung-fu age como uma
família. De fato, na tradição chinesa, os membros de uma 'escola' são
denominados "irmãos" e "irmãs". O 'mestre' visto
nesse contexto, é o "pai" da 'escola' e recebe mais respeito do
que um professor.
O
'mestre' de uma 'escola' de kung-fu é conhecido pelos estudantes como
"si-fu." O "si-fu" é uma pessoa altamente versátil
que possui além da defesa pessoal, conhecimento em medicina, filosofia,
cultura chinesa, literatura, etc... O si-fu não é somente um professor
de artes marciais, é também responsável em guiar e agir como o exemplo
para os estudantes. Uma frase muito comum no kung-fu é que "o
estudante começa numa sala escura enquanto o mestre está sob a luz do
sol". Esta frase, demonstra quão importante é o si-fu no
desenvolvimento de não somente as habilidades dos estudantes, mas, também
a atitude e a filosofia.
Kung
Fu
A
palavra Kung Fu pode ser traduzida como 'Maestria', 'Habilidade, eficiência',
'Domínio alcançado com o tempo' , 'Trabalho duro' e muitos outros
significados.
Os
autores mais respeitados traduzem como "Tempo de Habilidade" e
usam-na para designar as pessoas que tenham dedicado por um longo tempo ao
domínio técnico de uma disciplina até o ponto em que possam expressá-las
com o máximo de habilidade.
No
oriente a palavra Kung Fu nunca é utilizada para designar a arte marcial;
dá-se preferência ao uso de dois termos.
A
saber:
Wu
Shu - (Wu = Guerra e Shu= Arte)
Kuo
Shu - (Kuo = Nacional e Shu = Arte)
O
termo Wu Shu possui uma conotação superior aquela que é atribuída a
Kuo Shu.
As
palavras Wu Shu servem para designar todas as artes guerreiras, militares
ou marciais.
Em
1928, o governo chinês adotou universalmente a expressão Kuo Shu para as
artes marciais de origem chinesa, dessa forma distinguido-as de suas sucedâneas
coreanas e japonesas.
Enquanto
a expressão Wu Shu é usada genericamente, englobando todas as artes
marciais conhecidas, a expressão Kuo Shu é usada para designar apenas as
artes marciais de origem comprovadamente chinesas.
Devido
à imensa riqueza do idioma chinês é possível o uso de outros termos
para se expressar a arte marcial.
É
muito comum a designação "Ch'Uan Shu" para significar um
determinado conhecimento marcial ou mesmo um estilo.
O
termo Ch'Uan designa a arte do uso dos punhos ou mesmo boxe chinês - que
é o nome usado para designar o Kung Fu em todo o oriente.
O
próprio Bruce Lee usou o ideograma Ch'Uan no frontispício de sua obra
"Chinese Gung Fu, the Philosophical Art of Self Defense".
A
palavra Kung Fu (ou Gung Fu em dialetos cantonês) é usada aqui no
Ocidente para nomear todas as artes marciais de origem chinesa.
O
povo chinês sempre foi possuidor de um grande espírito guerreiro, que
fez seu país, em épocas passadas (Dinastias Shang - 1766 a 1122 a.C.), o
país mais poderoso da terra.
Segundo
os historiadores, esse poderio militar se desenvolveu graças às invasões
estrangeiras e as revoluções entre os senhores feudais e os imperadores
chineses. Naquela época, a imensidão do território chinês era
disputada pelos cobiçosos monarcas bárbaros que habitavam as terras
vizinhas.
Como
levavam semanas e até meses para deslocar as tropas imperiais para
defender as longínquas fronteiras, a família imperial usou os recursos
desesperados de delegar poderes aos nobres da corte.
Esses
nobres, que passaram a ser conhecidos como senhores feudais, receberam
imensas porções de terras, semelhantes aos condados outorgados à
nobreza na Inglaterra medieval.
Sabedoria
Online - by Marco Aurélio Soares
"Nosso objetivo é ensinar e
aprender."
Conteúdo para livre consulta e divulgação.
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