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Residência:
Sítio Coroano nº 57 - Nordeste de Amaralina
Comercial:
Rua Francisco Muniz Barreto nº 01 - Pelourinho
Profissão:
Professor de Capoeira
Local
de Trabalho: Residência
Nº
Carteira de Identidade 318.72 - Instituto Pedro Mello
Altura:1,93
Peso:
89 quilos
Filiação:
Luiz Cândido Machado/Maria Martinha do Bomfim
Documento
obtido na Comissão de Desportos da Aeronáutica no
Estado da Guanabara, - 2º simpósio sobre capoeira
realizado na Academia de Força Aérea (AFA) entre os
dias 08 e 09/11 /69 sábado e domingo.
Manoel
dos Reis Machado, nasceu na Periferia do bairro de
Brotas, recebeu de “batismo” o nome BIMBA, em
decorrência de uma aposta feita entre a sua mãe e a
parteira que dizia ser um menino.
Surge
aí o apelido BIMBA!
O
primeiro local onde Mestre Bimba treinou capoeira era
conhecido como Estrada dos Boiadeiros no bairro
da Liberdade, seu primeiro mestre foi o Africano
Bentinho capitão da Companhia de Navegação
Baiana.
Mestre
Bimba, iniciou a capoeira aos 12 anos de idade.
Seu curso teve a duração de 04 anos e o método
era a capoeira antiga, esta mesma capoeira ele
conseguiu ensinar por 10 anos, o local das aulas era
conhecido como “Clube União em apuros”, no bairro
da Liberdade (bairro este habitado por pessoas
na sua maioria de pele negra).
Desta
forma a capoeira foi reconhecida como “Esporte
nacional” e o mestre Bimba reconhecido pela
Secretaria de Educação e Assistência Pública
do Estado da Bahia com Professor de Educação Física
e sua academia foi a pioneira no Brasil á ser
reconhecida por Lei.
Uma
personalidade da vida política e social, que
desfrutava sempre se sua companhia, era o governador
da Bahia Dr. Joaquim de Araújo Lima.
No
ano de 1929, Manuel dos Reis Machado
com sabedoria exemplar resolveu desenvolver um estilo
diferente da capoeira Angola, fazendo a junção do
Batuque com a capoeira de Angola, surge aí a Capoeira
Regional que ano á ano vem sempre desenvolvendo mudanças
mais eficientes, como forma de luta.
A
graduação, aquela época era caracterizada por
lenços.
Em
1932 fundou sua primeira academia no bairro do Engenho
Velho de Brotas. Oficialmente a primeira academia de
capoeira a ter seu alvará de funcionamento datado de
23 de Junho de 1937.
No
mesmo ano, fez á primeira apresentação do seu
trabalho para o interventor general Juraci Magalhães,
onde havia presentes autoridades civis, militares
entre outros convidados ilustres.

Em
1939, Mestre Bimba ensinou capoeira no Quartel
do CPOR.
Em
1942 instalou sua segunda academia.

Em
1953, Mestre Bimba se apresentou para o presidente Getúlio
Vargas, este declarou ser a Capoeira o único esporte
verdadeiramente nacional.

Mestre
Bimba e alguns alunos de Capoeira, estudantes de
Medicina, nos anos 20
Como
a capoeira não era bem vista aos olhos da sociedade,
Mestre Bimba resolveu registrá-la como Centro de
Cultura Física Regional, localizada na Rua Francisco
Muniz Barreto. 01 – Pelourinho.
Em
1972, realizou a última formatura do centro de
cultura física regional, nesta formatura o (Mestre
Vermelho*) foi o orador.
Manoel
dos Reis Machado, o mestríssimo Mestre Bimba, é o
pai da capoeira regional. Aprendeu capoeira aos 12
anos de idade, com o mestre africano Bentinho. Já
adulto, exerceu funções de destaque para a cultura
baiana. Foi alabê no candomblé, função de zelador
do terreiro. Pelo porte grande e respeito que
imprimia, ganhou o apelido de Rei Negro e era saudado
pelo grito de guerra "Bimba é bamba!". Em
1949, o escritor Monteiro Lobato o conheceu e lhe
dedicou o conto Vinte e dois de Marajó, que
conta a história de um marinheiro capoeirista.
a.B
e d.B (antes de Bimba e depois de Bimba). Assim podem
ser entendidas as mudanças sofridas pela capoeira no
início de século. Antes de Bimba, a luta era ilegal,
passível de punição pelo Código Penal,
discriminada pela burguesia como coisa de malandro, de
escravo fujão. Os capoeiristas sequer sonhavam em
sobreviver dessa manifestação popular.
Bimba
rompeu com este ranço. Deixou as funções de carroçeiro,
trapicheiro, carpinteiro, doqueiro, carvoeiro para
abraçar a capoeira e o seu instrumento mais ilustre,
o berimbau, hoje identificado como símbolo da Bahia
nos 5 continentes. Porém, no Brasil, só em 1999 a
capoeira e o berimbau tiveram seus termos, como abadá
e aú, incluídos na edição do Dicionário Aurélio,
livro referência da língua portuguesa.
Se
estivesse vivo, Mestre Bimba completaria 103 anos em
novembro último. Morreu aos 74 anos, em Goiânia, sem
presenciar a profissionalização da capoeira que
ajudou a criar. "Meu pai morreu de banzo
(tristeza), por não ver a capoeira respeitada",
revela o filho Demerval machado, o Mestre Formiga.
Mestre
Bimba acreditava que a capoeira tinha que se renovar
para não ser engolida pelas lutas gringas. A preocupação,
apesar de à primeira vista soar bairrista, tinha razão
de ser. Até hoje, são lutas como o boxe americano e
o judô japonês que circulam na mídia, nas Olimpíadas,
lotando estádios e enriquecendo seus atletas, empresários
e patrocinadores.
Lutando
incessantemente para que a capoeira fosse reconhecida
como a legítima arte marcial brasileira, Mestre Bimba
criou a Capoeira Regional, jogo que ganhou este
batismo pela aversão do mestre a estrangeirismos,
fazendo questão de chamá-la de "Luta Regional
Baiana". A Capoeira Regional é um estilo menos
ritualístico do que a capoeira tradicional, conhecida
como angola.
Os
golpes introduzidos por Mestre Bimba facilitavam a
defesa pessoal quando do embate com praticantes de
outras lutas, como as artes marciais importadas muito
populares no Brasil nas décadas de 30 e 40. Nessa época,
desafiou todas as lutas e consagrou-se como primeiro
capoeirista a vencer uma competição no ringue,
quando o público incentivava com o grito de guerra
"Bimba é bamba!".
Centenário
- O centenário
de Mestre Bimba coincide em mês com o aniversário de
Zumbi
dos Palmares,
líder do Quilombo dos Palmares, que deu origem ao
Dia Nacional da Consciência Negra. Essa dupla
de negros valentes batizou o evento Zumbimba, que
marcou a inauguração do Centro Educacional Mestre
Bimba (CEMB), dedicado aos estudos da capoeira, com
sede em Itaboraí, interior do Rio de Janeiro.
"Escolhemos
um lugar onde há mato, porque Mestre Bimba gostava de
treinar a capoeira de emboscada, técnica na qual o
capoeirista se esconde no mato fechado, e quando
Mestre Bimba tocava seu apito, todos apareciam de seus
esconderijos para surpreender o capoeirista com
ponteiras de metal, e este tinha que se desviar dos
ataques. Era praticada pelos escravos para facilitar a
fuga", explica Mestre Camisa, coordenador da
Associação Abadá-Capoeira.
CAPOEIRA,
A FILOSOFIA DO CORPO
Manoel
dos Reis Machado, Mestre
Bimba, como ficou conhecido, foi a liderança mais
importante do secular mundo da capoeira no século 20.
Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que o Mestre
Bimba foi o criador da moderna capoeira, hoje marca
registrada do Brasil que percorre o mundo todo.
Apesar
de tudo, pouco se escreveu de consistente sobre o
Mestre Bimba. Esquecido por uns, denegrido por outros,
seu legado foi fragmentado entre seus diversos alunos,
e sua obra parecia sepultada no silêncio, mesmo
dentro do mundo da capoeira.
Por
tudo isso, o livro do renomado professor Muniz Sodré
guarda o sabor de resgate que há muito se esperava
para a obra de alguém que dedicou a vida inteira pela
"arte brasileira".
Muniz
não fala como um antropólogo ou sociólogo distante.
Ele foi aluno em terna idade do Mestre Bimba e pôde
comprovar o carisma e a liderança que Bimba tinha
sobre seus alunos. Esta presença em corpo e alma na
história da Capoeira Regional (a grande criação do
Mestre Bimba), faz do depoimento de Muniz um
testemunho emocionado e cativante.
O
livro começa com o tardio reconhecimento do mundo
universitário da Bahia, com o título de Doutor
Honoris Causa concedido post mortem ao Mestre
Bimba em 1996, apesar de no restante da universidade
brasileira a capoeira continuar sendo considerada como
"coisa de vagabundo". A partir daí, Muniz
navega na grandiosa trajetória do Mestre Bimba,
encimando os capítulos com os versos das cantigas de
capoeira.
No
primeiro capítulo, Muniz tenta identificar a
"filosofia do corpo" que se esconde por trás
do jogo da capoeira, traduzindo da forma mais direta
possível a complexa rede que se oculta na arte da
mandiga. Na segunda parte, Muniz se volta para a
biografia do Mestre Bimba, mostrando como se confunde
com a própria história de Salvador, e mesmo do negro
nas primeiras décadas do pós-Abolição. Muniz
afirma que Bimba e sua Capoeira Regional representaram
um dos grandes momentos de afirmação da nova
identidade negra em construção no século 20,
conjuntamente com as Escolas de Samba no Rio de
Janeiro e a Frente Negra em São Paulo. Nada mais
justo.
O
terceiro capítulo é um recuo no tempo, uma viagem
pela conturbada história da capoeira antiga, com suas
tradições regionalizadas - Rio, Bahia, Recife, São
Luís, etc.. - e que converge para o aparente beco sem
saída onde se encontrou no limiar da virada do século.
E é a partir daí que surge a estrela de Mestre
Bimba. Muniz é preciso quando define as variedades de
estilos dentro da Capoeira Angola: um mais remoto, do
princípio do século, que foi acusado de "lento
e ineficiente" por Mestre Bimba, e uma outra
Angola, esta criada por Mestre Pastinha a partir dos
anos 40, de muitas formas paralela e simétrica a
Regional de Mestre Bimba.
Novamente
Muniz tem a coragem de afirmar o que muitos sabem, mas
poucos falam: Mestre Bimba não estava sozinho, ele
respirava o debate intelectual sobre a capoeira que
emanava do Rio de Janeiro, e estava profundamente
integrado ao seu tempo. Importante citar a afirmativa
de Muniz de que Mestre Bimba jamais teve um
intelectual de porte capaz de dar crédito no mundo
dos letrados, e este teria sido um dos fatores
explicativos do preconceito que se formou contra o
Mestre. Em compensação Bimba foi hábil em conseguir
respaldo político, do governador da Bahia Juraci
Magalhães ao presidente Getúlio Vargas, o que
colaborou fortemente para a descriminalização da
capoeira em 1934, tributo que em geral é negado ao
Mestre Bimba.
Mestre
Bimba foi ainda um dos responsáveis pela consolidação
do berimbau como uma das marcas indeléveis da arte da
mandiga, na atualidade, já que nos idos da
capoeiragem velha do Recôncavo faziam o papel do
mestre musical a viola e o pandeiro.
Muniz
também toca na face oculta da personalidade de Mestre
Bimba: seu lugar nos mistérios do candomblé. Mestre
Bimba era ogã (encarregado do atabaque) de uma das
vertentes da religião dos orixás mais nebulosas e
desconhecidas: o candomblé do caboclo.
O
último capítulo é o mais triste, pois narra a lenta
agonia do Mestre Bimba, vítima do descaso e do
preconceito. Mestre Bimba começou a ser esquecido no
exato momento em que os valores da democracia, da
liberdade, da cultura e da vontade popular foram
varridos pelo regime dos generais instalado em 1964.
Ele
ainda viveu uma década, mas o desencanto com a Bahia
- fruto deste tempo difícil - foi demais para ele. A
ida para Goiânia parecia uma fuga, que afinal
terminou com a morte.
Crédito:
Carlos Eugênio Libano Soares (Historiador)
Mesmo
depois de sua morte, o berimbau é hoje o símbolo
maior da Bahia, graças às conquistas de Bimba. Ainda
no início do século, uma época em que a capoeira
era proibida por lei, ele criou a primeira escola de
capoeira do Brasil e foi recebido por chefes de
Estado, presidentes e governadores. No final da vida,
exilado em Goiânia e esquecido por todos, caiu em
depressão e morreu na miséria, enfartando depois de
comandar sua última roda de capoeira. Desde 1978,
seus restos mortais estão em Salvador, sua terra
natal, depois de ter sido enterrado como indigente no
estado de Goiás. Deixou 13 filhos, centenas de
alunos, milhares de discípulos e um lema:
"Capoeira é a arte do bem-viver!".
Descrente
com a falta de apoio e reconhecimento á sua arte,
Mestre Bimba e família aceita o convite do seu aluno
Oswaldo Souza e muda-se definitivamente para Goiás,
em busca de uma sociedade que aceitasse e valorizasse
sua arte. Porém suas expectativas foram nulas e o
Mestre Bimba veio a falecer no dia 05 de Fevereiro de
1974.
Em
12 de Junho de 1996, a Universidade Federal da
Bahia, concedeu, por unanimidade o título de Doutor
Honoris Causa a Manoel dos Reis Machado (Mestre
Bimba).
MESTRE
JAIR MOURA
Dono
de uma biblioteca com farto material sobre a Capoeira
Regional, o Mestre Jair Moura concedeu uma entrevista
sobre Mestre Bimba, de quem foi amigo e discípulo.
Clique
na imagem para ler a entrevista
Manchete
do jornal TRIBUNA DA BAHIA em 06/02/1974, um
dia após a morte de Mestre Bimba.
BAIANO,
VOCÊ SABE QUEM É O HOMEM DESTA FOTO?

Quem
passar pelo Pelourinho ou pela Praça Cayru hoje, vai
ouvir o som de um berimbau, certamente. Se prestar
atenção, vai notar que o som nunca foi tão triste:
Um lamento que se espalha pelo ar e toma conta da
cidade. Umas poucas pessoas trarão dentro de si, também,
um lamento. Muitas, porém, não vão entender o
porque da tristeza do berimbau. É que a grande
maioria não sabe quem é e nem o que representou para
a Bahia o homem da foto acima. Outros sabiam, se
omitiram durante muito tempo e a partir de hoje estarão
dizendo que ele é uma das glórias eternas da Bahia.
Baiano,
você sabe quem é o homem da foto acima? Ele morreu
ontem em Goiânia e sua mulher não quer que o corpo
seja sepultado na Bahia.
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