|
Todos os animais tem uma forma natural de lutarem para se
defenderem de predadores ou para competir com outros de sua espécie,
seja por comida, pela fêmea ou pelo comando do seu bando e,
assim como os animais irracionais todos seres humanos tem um
instinto de se defenderem quando ameaçados, mas, com o passar
dos séculos o homem criou padrões de comportamentos
civilizados dentro do que é considerado educação e moral com
uma série de direitos e deveres, que fizeram com que o homem
civilizado não necessita-se mais entrar em confronto
"corpo a corpo" para resolver qualquer
desentendimento. Porém o ato de lutar não deixou de ser um
algo do comportamento humano e por todo o mundo foram criadas
diversas lutas, chamadas artes marciais ou arte de Marte, (deus
da guerra), podendo ser traduzido então como a arte de
guerrear.
O boxe é uma luta na qual o lutador utiliza somente os punhos
para atacar seu adversário e os primeiros registros deste tipo
de confronto datam de 3000 antes de Cristo, no Egito, onde os
lutadores se enfrentavam para homenagear o
soberano. Em 688 antes de Cristo, passou a ser parte
dos Jogos Olímpicos da Grécia. Naquela época o combate
era feito em um único round onde a luta
perdurava até o adversário cair
ou simplesmente desistir.
Os lutadores usavam uma longa tira de couro enrolada nas mãos para
evitar que estas se lesionassem e aumentar ainda mais a potência dos
golpes.
Com o domínio romano sobre a região o esporte foi alterando e os
lutadores passaram a brigar até a morte do adversário. O boxe, então,
só prevaleceu até a queda do império. Depois, ficou parcialmente
esquecido, voltando quase 300 anos depois, de punhos nus, na inglaterra.
James Figg foi o primeiro campeão oficial em, 1719.
Em 1867, o Marquês de Queensbarry, com ajuda do boxeador John Grahan
Chambers, estabeleceu um padrão para as lutas, conhecido como as
"Regras de Queensbarry", baseado nas regras de esgrima. Cada
assalto deveria ter 3 minutos e contagem de 10 segundos para nocaute.
Em 1896, com a volta dos Jogos Olímpicos, o boxe foi excluído do rol
de esportes nobres, sendo qualificado de indigno e perigoso.
Antes do boxe se oficializar, as lutas eram realizadas clandestinamente
e eram proibidas pelas autoridades policiais. No dia 07 de fevereiro de
1882, na cidade de Mississipi, aconteceu a primeira luta oficial
envolvendo os pesos pesados John Lawrence Sullivan e Paddy Ryan.
Só em 1904, em Sto Louis, nos EUA, é que o boxe entrou para valer nas
Olimpíadas. Mas acabou ficando de fora, porém, dos jogos Estocolmo, em
1912 (o esporte era proibido na Suécia), voltando em definitivo em
1920.
Na década de 20 o boxe cresceu, projetando grandes campeões como Jack
Johnson, primeiro negro a conquistar o título mundial da categoria dos
pesados. Nos anos 20 e 30 o destaque foi Jack Dempsey, para muitos o
maior pegador da história do boxe e Gene Tunney, que venceu 2 vezes
Dempsey, uma em 1926, e outra em 1927.
Joe Louis destacou-se nas décadas de 30 e 40, para a grande maioria o
melhor da categoria máxima em todos os tempos. Nos anos 50 foi Rock
Marciano, que retirou-se invicto com 49 lutas, em 1956.
Cassius Clay, nas decadas de 60 e 70, (posteriormente chamado de
Muhammad Ali, inegavelmente o mais técnico da sua categoria). Ele
encerrou a carreira em 1981.
Nos últimos anos o lutador Mike Tyson destaca-se pela forma decidida
como atua e como define as lutas por nocaute.
O boxe é hoje dirigido principalmente por quatro organizações:
Associação Mundial de Boxe (AMB), criada em 1962, Conselho Mundial de
Boxe (CMB), em 1963, Federação Internacional de Boxe (FIB), em1983, e
Organização Mundial de Boxe (OMB), em 1988. Há outras entidades,
cerca de 14, porém, são estas que comandam o boxe no mundo, reunindo
os melhores lutadores e possuindo maior estrutura econômica.
A principal função dessas entidades é organizar combates por
categoria de peso entre os lutadores inscritos em sua organização e,
através de eliminação, eleger um campeão por categoria, passando-lhe
um cinturão que deverá ficar guardado com ele enquanto estiver com o título.
Uma vez campeão, o lutador terá que fazer quantas defesas forem necessárias,
de acordo com a indicação de sua entidade, para manter o cinturão,
porém, nunca mais de 4 por ano. Além disso, o lutador poderá desafiar
o campeão de sua categoria de peso de outra organização e, se este
aceitar, um dos dois será o bi-campeão mundial. Também poderá lutar
com o titular de até três outras entidades e, se vencer, acumulará 4
títulos mundiais, (tetra-campeão).
Dois bons exemplos são: Lennox Lewis, tri-campeão dos peso pesados e,
Roy Jones Júnior, tetra campeão no meio pesado. Mas para chegar a
campeão mundial há uma longa caminhada a se fazer! Todos atletas começam
a competir como amadores, lutando de capacete e quase sempre em 3 rounds
de 2 minutos, em competições sem premiação em dinheiro e nas quais
pagam inscrição para participar que varia desde R$ 20,00 até R$ 50,00
ou mais, (essas competições amadoras são fundamentais para o
desenvolvimento e amadurecimento do atleta, servindo também para que
ele seja conhecido em sua região e encontre um patrocinador que
financie seu treinamento ou que lhe de algum tipo de ajuda de custo). O
sucesso de um pugilista depende, primeiramente, de um promotor ou
representante. Um consciente sabe que as 20 lutas iniciais de seu
lutador (desde que o lutador demonstre "fibra" de campeão)
devem ser contra rivais que não apresentem muito risco, de forma que
ele conquiste o primeiro título sem enfrentar muita resistência, (porém
muitas vezes isso não é possível). Isso porque, no mundo do boxe, o
importante é fazer cartel. A capacidade e o talento do lutador também
determinará a sua ascensão ao estrelato lutando com outros campeões
mundiais e arrebatando-lhes o título. Nesse caso, a estratégia do
promotor também é determinante para identificar onde, quando e com
quem começar.
Um
dos esportes mais antigos do mundo, remontando à época dos Jogos
Pan-Helênicos (776 A.C.), as Olimpíadas realizadas quadrienalmente
em Olímpia, Grécia.
Denominado em seus primórdios de pugilato, os seus lutadores usavam mãos
envoltas em correias de couro e tinham os corpos inteiramente nus.
Os vencedores dos confrontos ganhavam uma coroa de oliveira selvagem e
grande prestigio em toda Grécia antiga.
Com o declínio dos Jogos Pan-Helênicos, o pugilato viveu um período
obscuro. Na Idade Média muito pouco se conhece, mas no final da Idade
Moderna, o pugilato, agora já conhecido por boxe, era praticado pelos
homens mais valentes das cidades européias e americanas que se
digladiavam mostrando sua coragem, força e resistência física em
troca de remuneração a qual poderia ser em moeda corrente ou
mercadoria, esta última forma era a mais comum.
Não existia número máximo de rounds, os lutadores utilizavam mãos
nuas e os combates eram desprovidos de quaisquer regras. A violência
era a tônica e a vitória era dada àquele que resistia em pé
enquanto seu adversário estava prostrado ao chão.
Entretanto o nobre inglês Marques de Queensbury, entusiasta do boxe
resolveu dar-lhe determinadas regras tornando-o mais justo,
equilibrado e menos violento. Esta é a razão do boxe ter a alcunha
de Nobre Arte.
O uso de luvas, divisão de pesos, limitação de rounds, foram
criados e então o boxe passou a ser considerado pelo mundo ocidental
como um verdadeiro esporte. A primeira luta legalizada de boxe
profissional ocorreu em 7 de fevereiro de 1882, nos Estados Unidos.
Em 1896, data dos primeiros Jogos Olímpicos
do mundo moderno, o boxe foi incluído, tendo passado então a ser
qualificado como Amador, surgindo assim o boxe amador, possuindo regras
substancialmente diferentes daquelas do boxe profissional.
No Brasil, surgiu o interesse pelo
boxe em 1918, quando alguns marinheiros franceses fizeram algumas
exibições em São Paulo.
Estudiosos do boxe tem procurado ao longo dos anos inová-lo,
tornando-o mais seguro para os seus praticantes, preservando a emoção
que é peculiar tanto ao boxe amador quanto ao profissional.
Fonte: www.cbboxe.com.br
REGRAS
REGRAS 1
Atualmente são
disputados dois tipos de boxe: o amador e o profissional. O primeiro,
que também é chamado de boxe olímpico, tem como principal preocupação
a total integridade física de seus lutadores. No amador são usados
capacete, protetor genital e protetor bucal, para que não haja
maiores danos aos seu praticantes, enquanto no profissional os
competidores usam apenas luvas, calção e sapatilhas.
O boxe amador tem 13
categorias, segundo o peso do atleta (minimosca, mosca, galo, pena,
leve, superleve, meio-médio, meio-médio-ligeiro, médio-ligeiro, médio,
meio-pesado, pesado e superpesado); o profissional tem 18 (as mesmas
do amador, exceto superpesado e mais palha, supermosca, supergalo,
superpena, supermédio e cruzador).
REGRAS 2
A disputa dá-se em um
quadrado limitado por cordas, o ringue, que mede entre 4,90 m e 6,10
m. As lutas profissionais duram 12 assaltos, ou rounds, cada um de 3
min, e terminam imediatamente por nocaute se um dos atletas cair e não
se levantar em 10 s. Se conseguir, considera-se knock down. Caso não
haja nocaute, cinco juízes escolhem o vencedor por critério de
pontos, com base no número de golpes dados ou o juiz de ringue
interrompe a luta e declara um dos lutadores vencedor por nocaute técnico.
REGRAS 3
Os principais golpes são
o jab, os cruzados de direita, de esquerda e o gancho. É proibido
atingir o adversário abaixo da cintura, sob pena de desclassificação.
Na Olimpíada a luta tem três assaltos de 3 min, com 1 min de
intervalo entre eles.
Fonte:
www.terra.com.br
|
|
História do Boxe
Brasileiro
Primeiros vestígios do boxe no
Brasil
No início do sec. XX, a prática desportiva era quase
totalmente desconhecida no Brasil. Os raros esportistas
limitavam-se a membros das comunidades de emigrantes alemães e
italianos, no Rio Grande do Sul e em Sao Paulo. Foi só com eles
que foi introduzida, entre nós, a idéia de competição
esportiva entre dois homens ou entre equipes, principalmente em
modalidades como natação e canoagem.
Além dessa falta de tradição esportiva, outra característica
desfavorecia a introdução do boxe no Brasil: no final do sec.
XIX e início do XX, lutar era sempre associado a coisa de
capoeiristas e, então, à marginalidade. Esse preconceito era
especialmente forte entre os membros da elite dirigente do país.
As primeiras exibições de boxe em solo brasileiro ocorreram
naquela época e só reforçaram esse preconceito: foram feitas
por marinheiros europeus, que tinham aportado em Santos e no Rio
de Janeiro, e naquela época os marinheiros eram recrutados das
classes mais humildes.
Em 1913: a primeira lição
Em 1913, travou-se a mais antiga luta de boxe em território
brasileiro que ficou documentada. Tratava-se apenas de uma luta
de exibição - ou de desafio, não se tem certeza pois os
testemunhos da época divergem nesse detalhe - em São Paulo,
entre um pequeno ex-boxeador profissional que fazia parte de uma
companhia de ópera francesa e o atleta Luis Sucupira, conhecido
como o Apolo Brasileiro em razão de seu físico avantajado.
Embora surrado, o nosso Apolo reconheceu que a técnica pode
superar a força e tornou-se um grande entusiasta do boxe e seu
primeiro grande divulgador. Dado seu prestígio, era médico e
filho de conceituada família, seu apoio em muito contribuiu
para atenuar o preconceito que já mencionamos.
O boxe é divulgado e legalizado no Brasil
A propaganda de Sucupira entusiasmou alguns jovens que eram
membros da tradicional Societá dei Canotiere Esperia, de São
Paulo, os quais tentaram incluir o boxe entre as atividades
dessa associação; esse esforço durou entre 1914 e 1915, e
parece não ter frutificado.
A real divulgação iniciou apenas em 1919, com Goes Neto, um
marinheiro carioca que havia feito várias viagens à Europa,
onde havia aprendido a boxear. Naquele ano de 1919, Goes Neto
retornara ao Brasil e resolveu fazer várias exibições no Rio
de Janeiro. Com as mesmas, um sobrinho do Presidente da República,
Rodrigues Alves, se apaixonou pela nobre arte. O apoio de
Rodrigues Alves facilitou a difusão do boxe: começaram a
surgir academias e logo esse esporte ganhou a áurea da
"legalidade", de esporte regulamentado, com a criação
das "comissões municipais de boxe" em São Paulo,
Santos e Rio de Janeiro. Isso tudo, entre 1920 e 1921.
Os primeiros treinadores competentes: início da década dos
20's
Até 1923, os treinadores eram improvisados. A situação só
começou a melhorar quando Batista Bertagnolli estabeleceu-se,
em 1923, como organizador de lutas no Clube Espéria, de São
Paulo. Bertagnolli, que havia aprendido boxe na Europa, muito
bem soube usar seus conhecimentos fazendo um controle de
qualidade nas lutas realizadas todos os domingos naquele
importante clube da Ponte Preta. O reconhecimento do público
foi imediato, passando a lotar as dependências do Espéria.
Contudo, a primeira pessoa que hoje seria considerada um
treinador foi Celestino Caversazio. A dívida do boxe brasileiro
para com Carvesazio é imensa e, se tivermos que apontar sua
principal contribuição, diríamos que foi ser professor dos
primeiros treinadores importantes do Brasil: os irmãos Jofre,
Atílio Lofredo, Chico Sangiovani, etc.
Ainda em 1923, no Rio de Janeiro, foi criada a primeira academia
de boxe no Brasil: era o Brasil Boxing Club que muito difundiu o
boxe entre os cariocas.
Em 1924: a tragédia Ditão e consequências
Entre 1908 e 1915, o boxeador negro Jack Johnson deteve o cinturão
de campeão mundial dos pesados e muito humilhou os brancos que
o desafiaram. Uma consequência disso foi os dirigentes
americanos proibirem os cinemas de passarem fitas ou noticiários
com lutas de boxe. Em 1915, Jess Wilard derrotou Johnson e assim
passou o cinturão para a raça branca. A partir daí e,
principalmente, a partir de 1919, quando Jack Dempsey - outro
branco - derrotou Wilard e passou a fazer defesas de título com
públicos de dezenas de milhares de pagantes, os filmes de boxe
foram liberados novamente.
Logo esses filmes chegaram nos cinemas brasileiros e despertaram
em nossos jovens e empresários do boxe uma imensa ganância.
Todos ficaram sonhando com o fácil enriquecimento através do
boxe. Jovens que nunca haviam feito nenhuma luta, saiam do
interior do país e iam para São Paulo ou Rio de Janeiro com
vistas a se tornarem profissionais do boxe.
Foi então que, no final do ano de 1922, Benedito dos Santos
"Ditão" iniciou a treinar boxe numa academia de São
Paulo. Ditão era um negro de porte gigantesco, enorme aptidão
para o boxe e um direto irresistível. Em um par de meses, já
no início de 1923, estreiava como profissional e, sem nenhuma
dificuldade, derrotou seus três primeiros adversários, todos
no primeiro round. Se somarmos o tempo total de luta desses três
combates, não chegaremos a três minutos. Era essa a experiência
profissional de Ditão.
Como depois relatou o técnico Atílio Lofredo, "Todo o
mundo estava enlouquecido de entusiasmo com Ditão; seus três
fulminantes nocautes levaram todos a acreditar que nenhum homem
do mundo poderia resistir à sua pancada devastadora". Não
menor era o entusiasmo dos empresários da época, os quais
viram uma chance milionária quando passou pelo Brasil o campeão
europeu dos pesados, Hermínio Spalla, que tinha ido até à
Argentina enfrentar o legendário Angel Firpo.
Rapidamente, foi organizada uma luta entre Ditão e Spalla que
rendeu 120 contos de réis, uma fortuna para a época. O início
da luta foi quase de encomenda para a platéia: já de saída,
Spalla foi derrubado pela potentíssima direita de Ditão. O público
foi ao delírio, mas não era por nada que Spalla tinha mais de
sessenta lutas com adversários de nível internacional. O
italiano levantou-se e a partir do terceiro round iniciou a
demolir Ditão. Esse, qual leão ferido, tentou resistir mas
acabou caindo no nono round. Teve um derrame cerebral, mas
sobreviveu para terminar seus dias como inválido.
Imediatamente após a derrota de Ditão, os jornais iniciaram
uma campanha contra o boxe, o que levou o governador de São
Paulo a proibir sua prática. Mas não ficou só nisso o impacto
da tragédia de Ditão: por quase dez anos, os empresários
brasileiros ficaram receosos de trazer boxeadores estrangeiros.
O período de ouro entre 1926 e 1932
Após revogada a proibição, em abril de 1925, o boxe
brasileiro voltou a crescer a partir das sementes lançadas
pelos primeiro treinadores competentes.
No período que se seguiu, entre os vários lutadores de
destaque, o maior ídolo foi o peso leve Italo Hugo, o Menino
de Ouro. Entre seus maiores feitos está o nocaute, em
primeiro round, sobre o campeão sul-americano dos leves, Juan
Carlos Gazala, em 1931.
Em 1932, tivemos novo impasse: a Revolução de 32 paralisou
tudo.
Década dos 30's
O acontecimento marcante desse período foi a criação das
federações de boxe - carioca, paulista, etc - com as quais se
deu condições de os boxeadores profissionais brasileiros
disputarem oficialmente títulos internacionais e os amadores
poderem participar de torneios e campeonatos internacionais.
Como consequência, já em 1933, fomos pela primeira vez a um
campeonato internacional: o Sul-Americano de Boxe Amador, que se
realizou na Argentina. A seleção brasileira era composta
apenas de cariocas, pois que somente Rio de Janeiro tinha boxe
legalizado através de federação.
Tínhamos, contudo, um grande caminho a percorrer. Nessa época,
o boxe de nossos vizinhos argentinos, uruguaios e chilenos era tão
superior que considerávamos uma façanha perder
"apenas" por pontos para um deles...
Época do Ginásio do Pacaembu
Esse ginásio foi criado em 1940 e nele, pela primeira vez,
podia-se ver lutas de brasileiros com nível verdadeiramente
internacional. Os mais destacados deles foram: Atílio Lofredo e
Antônio Zumbano ( o "Zumbanão" ).
Zumbanão foi o primeiro grande astro do boxe brasileiro,
imperando absoluto por um longo período: de 1936 a 1950,
durante o qual realizou cerca de 140 lutas, mais da metade das
quais ganhou por nocaute. Era um peso médio de grande poder de
punch e não menor capacidade de esquiva. Verdadeiro ídolo,
arrastava multidões ao Pacaembu.
O início do boxe moderno: anos 50's
Esta foi uma nova época de ouro para o boxe brasileiro: grandes
espetáculos, nacionais e internacionais, e uma imensa galeria
de astros. Um dos elementos decisivos para isso foi a ação do
primeiro mega-empresário do boxe brasileiro, Jacó Nahun.
Além de ter lançado alguns dos grandes nomes do boxe
brasileiro - como Kaled Curi, Ralf Zumbano e Éder Jofre -, Jacó
Nahun conseguiu um intercâmbio com os dirigentes do Luna Park,
o maior ginásio de boxe da América do Sul, com o que centenas
de boxeadores argentinos vieram lutar no Pacaembu e,
posteriormente, no Ginásio do Ibirapuera. Isso foi uma
excelente escola que contribuiu decisivamente para o
amadurecimento do boxe brasileiro.
Na época, tivemos tantos bons boxeadores que fica até difícil
destarcamos alguns deles sem correr risco de fazer injustiça.
Por razões de espaço, apontaremos apenas quatro deles os quais
se não forem unanimidade certamente estarão em qualquer lista
de "os mais importantes da época":
-
Kaled
Curi, o "Beduíno"
peso galo dotado de fortíssima esquerda; frequentemente
lutava com adversários de várias categorias acima, sendo
que travou muitas lutas verdadeiramente antológicas; como
amador, chegou a campeão latino-americano e como
profissional foi campeão brasileiro; podia ter ido além
se não se envolvesse tanto com questões administrativas
das federações e com a promoção de lutas; após parar
de lutar, dedicou-se a empresariar boxeadores e promover
eventos de boxe profissional.
-
Ralph
Zumbano, o
"Bailarino"
peso leve de pouca "pegada" mas estilo, esquiva,
técnica e jogo de pernas elogiadas até
internacionalmente; teve carreira curta como lutador,
passando a treinador de sucesso.
-
Luis Inácio, o "Luisão"
talvez, o maior meio-pesado brasileiro de todos os tempos;
extremamente popular por seu carisma, suas entrevistas
folclóricas, sua velocidade e poder de punch; foi o
primeiro brasileiro a conquistar medalha de ouro nos Jogos
Panamericanos ( México 1955 ); como
profissional, chegou a campeão sul-americano dos
meio-pesados, tendo feito inúmeras lutas internacionais,
inclusive com o legendário Archie Moore; sua popularidade
acabou sendo sua tragédia: ao subestimar o famoso campeão
chileno Humberto Loayza, numa troca de golpes, acabou
sofrendo um violento nocaute; como era bilheteria certa,
os empresários nem lhe deixaram descansar, continuaram a
lhe promover lutas, as quais só agravaram a lesão que
havia sofrido; o resultado foi o esperado: Luisão acabou
"sonado" ( ficou extremamente sensível a
qualquer golpe na cabeça e a exibir sintomas da chamada
"demência pugilística" ) passando a ser
derrotado por qualquer um, inclusive em brigas de rua com
marginais; acabou morrendo como indigente e se tornando
mais uma triste lição para o boxe profissional
brasileiro.
-
Paulo de Jesus Cavalheiro
Peso meio-médio, atuando profissionalmente entre 55 e 58.
Extremamente carismático, só perderia em popularidade
para o Zumbanão. Já era tratado como ídolo nos seus
tempos de amador. Tinha grave problema cardíaco que
prejudicava muito sua atuação.
A década de Eder Jofre: os anos 60's
O maior boxeador brasileiro de todos os tempos nasceu em uma família
de pugilistas: tanto por parte do pai ( família Jofre,
oriunda da Argentina ) como por parte da mãe ( família
dos Zumbanos ). Assim que Éder Jofre, praticamente, nasceu
dentro do ringue e desde cedo aprendeu as "manhas" da
nobre arte.
Desde muito cedo exibia características que acabaram lhe
colocando num lugar de destaque na história do boxe mundial:
tinha como principal arma um fortísssimo gancho de esquerda ( vide
foto ao lado ), e uma igualmente arrasadora direita; não
menos importante era sua grande inteligência que lhe permitia
modificar o estilo de luta segundo o adversário.
Estreiou como amador aos 17 anos de idade, em 1953. Em seus
quatro anos de competição entre os amadores não conseguiu
nenhum título de importância internacional. Seu sucesso só
viria explodir como profissional, carreira que iniciou aos 21
anos, em 1956.
Já em 1958 tornou-se campeão brasileiro dos pesos galo.
Contudo, o sucesso internacional não foi tão rápido. Para
isso foi fundamental o trabalho de seu empresário, Jacó Nahun.
Esse, usou sua experiência para construir uma
"escadinha" que permitisse Éder fazer um renome
internacional e assim poder esperar por uma chance de disputar o
título mundial. Essa chance começou a ficar mais próxima em
1960, quando Jacó Nahun conseguiu a inclusão de Éder entre os
dez primeiros do ranking de galos da NBA ( a associação
que mais tarde deu origem a atual WBA=Associação Mundial de
Boxe ). Atingindo esse ponto, Éder trocou de empresário ( Nahun,
magoado com a "traição", abandonou o boxe ) e
foi lutar nos USA, onde fêz três lutas que melhoraram sua posição
no ranking. Ainda nesse mesmo ano de 1960, finalmente,
materializou-se a oportunidade de disputa pelo título mundial
quando o então campeão mundial dos galos, Joe Becerra,
renunciou ao seu título depois de ter causado a morte de seu último
adversário. Com isso, no final de 1960, acabou sendo marcada
uma luta pelo título vago entre Éder e o mexicano Eloy
Sanchez. Éder Jofre precisou de apenas seis rounds para se
adonar do cinturão.
Contudo, Éder ainda não havia chegado ao topo, pois a União
Européia de Boxe não reconhecia os campeões da americana NBA.
Foi só em 1962 que surgiu a oportunidade de uma luta pela
unificação dos pesos galo, entre Jofre campeão pela NBA e
Johnny Caldwell campeão pela UEB. Essa luta foi travada no ginásio
do Ibirapuera, com um público record de 23 000 pessoas. Éder
massacrou o irlandês Caldwell e se tornou o undisputed
champion dos pesos galo.
Jofre defendeu com sucesso seu cinturão por sete vezes, até
1965, não fugindo de nenhum adversário, por mais perigoso que
esse fosse. Contudo, seu maior inimigo crescia a olhos vistos:
era seu excesso de peso, que lhe fêz realizar várias lutas
muito desidratado e até mal alimentado. Apesar disso,
pressionado de vários lados, Éder preferiu não subir para a
categoria dos pesos pena. A decisão foi errada: em 1965 foi
vencido pelo maior boxeador japonês de todos os tempos,
Masahiko "Fighting" Harada. No ano seguinte, o japonês
concedeu revanche e venceu novamente. Com isso, Jofre declarou
sua aposentadoria. Tinha 10 anos de profissionalismo e estava
com 30 anos, o que é considerada uma idade avançada para um
boxeador da categoria dos galos.
Como peso galo, Éder Jofre recebeu as maiores distinções: em
eleição promovida pela mais conceituada publicação de boxe
do mundo, The Ring Magazine, os leitores dessa revista elegeram
Éder Jofre como um dos dez melhores boxeadores do século XX;
foi o primeiro boxeador não americano indicado para o Hall of
Fame do boxe; etc.
Epoca da penúria: 70's
O sucesso do peso galo Éder Jofre motivou o surgimento de
muitos boxeadores brasileiros. Entre esses, os mais destacdos
foram:
-
Servílio de Oliveira
peso mosca de estilo brilhante, golpes e esquivas de
precisão milimétrica; por muitos, é considerado o
melhor boxeador já surgido no Brasil; estreiou em 1968
nos amadores e já no mesmo ano conseguiu o maior feito do
boxe amador brasileiro até então: medalha de bronze nas
Olimpíadas; em 1969 estreiou nos profissionais onde atuou
até 1971, fazendo várias lutas internacionais, a maioria
com boxeadores sul-americanos; em 1971, em luta com um
mexicano, sofreu um deslocamento de retina que o deixou
praticamente cego do olho direito e o fêz abandonar sua
muitísssimo promissora carreira; em 1976, tentou voltar,
chegando a fazer algums lutas internacionais, mas na
primeira disputa de título, sofreu impedimento médico e
abandonou de vez o esporte.
-
Miguel de Oliveira
iniciou no profissionalismo na mesma época que Servílio
e se destacou por ser um peso médio-ligeiro de soco
potente, especialmente quando desferia o hook no fígado,
e de ser dotado de grande inteligência; em 1973 já tinha
29 lutas e teve sua oportunidade na disputa pelo título
mundial pelo CMB; em 1975 teve nova chance, agora com
sucesso, arrebantando o cinturão mundial pelo CMB do
espanhol José Duran; infelizmente, mal orientado, perdeu
o título já na primeira defesa.
O terceiro boxeador importante dessa
época foi, novamente, Éder Jofre, que, premido por
dificuldades financeiras, voltou a boxear em 1970, agora nos
pesos pena. Éder continuou a brilhar e em 1973 conquistou o título
mundial do CMB, infelizmente não tão importante quanto o que
tinha ganho como galo. Também não teve sorte com seu empresário
que acabou deixando-o em inatividade por tempo excessivo o que fêz
com que o CMB o destituísse do título. Apesar de não ser mais
campeão, ele continou a lutar, sempre invicto até 1976, quando
encerrou definitivamente sua carreira, aos 40 anos de idade. Ao
longo de sua vida de profissional, realizou 78 lutas, sendo que
ganhou 50 por nocaute e teve apenas duas derrotas, ambas por
pontos e para o histórico Masahiko "Fighting" Harada.
Assim que, quase simultaneamente, tivemos a aposentadoria de três
dos maiores lutadores brasileiros de todos os tempos: Jofre,
Servílio e Miguel de Oliveira. Isso e a transmissão dos jogos
de futebol pela TV funcionaram como uma ducha fria no boxe
brasileiro, que mergulhou num período bastante negro, de ginásios
vazios e poucas perspectivas.
O fenômeno Maguila e o ressurgimento do boxe
No início dos anos oitenta, pela primeira vez no Brasil, uma
rede de TV ( a TV Bandeirantes ), por iniciativa de
seu diretor de esportes ( Luciano do Valle, o qual também
atuava como promotor de eventos esportivos, através de sua
empresa, a Luque Propaganda, Promoções e Produções ),
resolveu investir pesado no boxe, transformando-o em espetáculo
de massa.
Os primeiros boxeadores feitos pela TV brasileira, Francisco
Thomás da Cruz ( peso super-pena ) e Rui Barbosa
Bonfim ( meio-peaso ), tiveram relativo sucesso, mas
foi só com Adilson "Maguila" Rodrigues que as
transmissões de lutas de boxe pela TV alcançaram absoluta
liderança de audiência.
Maguila, com 1,86 metros e cerca de 100 Kg, foi um dos poucos
pesos pesados brasileiros. Tinha grandes elementos para ser um
ídolo: enorme carisma aliado à grande valentia, mobilidade e
uma direita demolidora que lhe propiciou nada menos do que 78
nocautes em sua carreira de 87 lutas, a maioria das quais com
lutadores europeus, sul-americanos e norte-americanos.
Maguila estreiou como profissional em 1983, tendo Ralph Zumbano
como técnico e Kaled Curi como empresário. Em 1986, já no
auge da fama, assinou contrato com a Luque e passou a treinar
com Miguel de Oliveira que alterou profundamente seu estilo de
luta e corrigiu seus defeitos de defesa. Como consequência, em
1989, chegou a ser o segundo colocado no ranking do CMB e em
rota de colisão com Mike Tyson, na época, o undisputed
champion do mundo.
O grande momento, contudo, nunca ocorreu. Precisou enfrentar
dois dos maiores pesados do século XX: Evander Holyfield e
George Foreman. Perdeu essas duas lutas e isso lhe tirou não só
a chance de disputar o título como o encaminhou para a
obscuridade. Para piorar, Maguila aumentou muito de peso,
perdendo a forma física. Apesar disso, em 1995, chegou a campeão
mundial pela WBF ( Federação Mundial de Boxe ), uma
associação que ainda não havia conseguido grande
respeitabilidade. Com falta de patrocínio, pouco tempo depois,
Maguila foi destituído do título por inatividade.
Com o ocaso de Maguila, também veio o do boxe brasileiro que
rapidamente perdeu o enorme espaço que havia tido na televisão.
No final dos anos noventa, surgiu uma nova promessa: Acelino de
Freitas, o Popó. Patrocinado pela Rede Globo de televisão, Popó
chegou ao título de campeão mundial pelo WBO . Ainda é cedo
para avaliarmos a posição que lhe reservará a História.
Comentários finais:
O texto acima é apenas uma tentativa de resumir a história do
boxe brasileiro. Para se fazer justiça aos mais de 10 000
boxeadores profissionais que atuaram no período seria necessário
um longo livro.
Fonte: Site da Federação Rio Grandense de Boxe
URL: http://www.boxergs.com.br/
|
|